A vida em movimento nos poemas de Alexandre Moraes

Por 13:53

O poeta lança seu nono livro, “Pintura para primeiros barcos”, pela Editora Cousa, nesta sexta-feira (7), em Vitória

“De fato, eu não posso viver sem criar. A criação surge no grande momento da impossibilidade e aí surge a necessidade e surge a poesia, surge a arte”, diz o poeta Alexandre Moraes que lança seu mais novo livro, o Pintura para primeiros barcos, nesta sexta-feira (7), em Vitória. O evento de lançamento acontecerá na Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), a partir das 19h. Na ocasião, o autor passará por uma sabatina de perguntas feita pelos professores Alexander Nassau e Vera Márcia Soares Toledo; e pelas jornalistas Lívia Corbellari e Aline Dias.

Publicado pela Editora Cousa, Pintura para primeiros barcos é o nono livro da trajetória poética de Alexandre Moraes. Primeira de uma trilogia, a obra apresenta 82 textos que misturam verso e prosa, evocando uma série de questões relacionadas ao ser humano. Da mesma safra, Moraes prepara “Experimento para memória e cortes”, que será lançado pela Aves de Água, selo editorial dirigido pelo autor; e “Caixa de Imagens”, ainda com publicação indefinida.

“São três livros que tratam dos temas que me são muito importantes, que eu venho tratando em todo meu trabalho. Que é a questão do corpo, da água, do tempo, a questão das perdas, do movimento. Isso tudo entrelaçado numa rede enorme e, ao findar disso, o amor”, conta o poeta. O próprio título do livro já sugere o que o leitor poderá encontrar nas páginas de Pintura para primeiros barcos. O barco é uma grande metáfora ao movimento da vida, que navega por uma rota sem volta, incluindo quatro importantes momentos: nascer, crescer, viver (no sentido maior de maturidade, como pontua o autor) e morrer.

“E por que ‘pintura’ para primeiros barcos? Porque pintura é interferência. Quando há uma pintura, você está interferindo numa superfície, levando sentido, levando novas formas de possibilidade de compressão. Quer dizer, você está aumentando o que é aquilo”, revela Moraes. Ele afirma, ainda, que todo esse movimento só pode ser em direção a um destino: o amor – que é também outro tema abordado no livro.

“O amor acaba sendo um gerador disso tudo. Todo mundo interpreta o amor de uma maneira só como uma ligação. Só que o amor não é uma ligação apenas, o amor é uma forma possível de criação”, diz. Em Pintura para primeiros barcos, verso e prosa se misturam. Para o autor, trabalhar com a forma do texto é, também, uma maneira de dizer algo, de comunicar a poesia. “O que hoje existe, e aqui no ES é até um movimento razoavelmente forte, é essa hibridização de formas da tradição. Essa é uma maneira de romper, de pensar também a própria forma. A própria forma vai criar uma implosão, uma forma de pensamento”, afirma.

O autor
Há quase 25 anos em Vitória, Moraes é capixaba de coração e um poeta nato. Uma simples conversa sobre seu fazer poético transforma-se em uma profunda reflexão sobre a vida e suas impossibilidades. “A gente pode ate não escrever, mas tá ali a coisa. Se sentar, escreve”, diz. Alexandre Moraes nasceu no Rio de Janeiro, mas vive e trabalha em Vitória desde o começo dos anos 90. Além de produzir literatura, Moraes é também um estudioso da área e, atualmente, transmite seu conhecimento acadêmico para alunos da Ufes, como professor de Literatura Brasileira.

“Quando você está na escola, ali é um ambiente pulsante. E, ao mesmo tempo, é um lugar de extremas impossibilidades, porque você tem que romper a barreira do não saber, a barreira da dificuldade, a barreira da decodificação dos códigos. E a poesia não surge da impossibilidade, também? [...] A escola é um lugar de necessidades e de impossibilidades sendo rompidas, por isso que ela é tão poética. E eu digo, sim, o meu ofício me ajudou muito”, conta.

Grande admirador dos poetas da língua portuguesa, Moraes exalta os portugueses Orides Fontela, Fiama Hasse Pais Brandão, Fernando Pessoa e Herberto Helder. “No Brasil, impossível não falar de Drummond”, diz.  Ele cita, ainda, o poeta norte-americano Allen Ginsberg, importante nome do movimento beat, nos anos 50. “Hoje, há um poeta aqui do Espírito Santo que sempre leio e releio. Uma pessoa maravilhosa que é o Casé Lontra Marques. Eu sempre leio e releio esse poeta. É um poeta muito denso, um poeta-pensamento, como eu chamo”, conta Moraes.

Para ele, todas as pessoas, de alguma maneira, sentem e vivem a poesia, mas nem todos são poetas. “O poético é essa impossibilidade que eu tenho na minha vida, que você tem a todo momento. E daí surge todo o sentimento de estar vivo e esse sentimento de existência é o fluido poético que todo mundo tem. Todo mundo é poeta, então? Não, porque o poeta é aquele que tem uma capacidade de escritura e ele pega isso que todo mundo tem e insere na história da literatura, da arte. Porque nós escrevemos? Simples, a gente não consegue se calar. Nossa necessidade é extrema e nossa impossibilidade também”, reflete o poeta.

Lançamento
Alexandre Moraes lança o livro Pintura para primeiros barcos, nesta sexta-feira (7), a partir das 19h, na Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes). No dia, haverá recital com textos do livro e bate-papo com o autor. Entrada franca.

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