Confraria dos Bardos realiza 2º Festival Poesia na Calçada

Por 13:54

O evento acontece em Vitória, de 19 a 23 de novembro, e conta com diversas atividades gratuitas relacionadas às áreas de literatura, cinema, música e artes cênicas

“Um livro de poesia na gaveta não adianta nada. Lugar de poesia é na calçada”, cantou o músico e compositor capixaba Sérgio Sampaio. Inspirada nesses versos, a Confraria dos Bardos realiza a 2ª edição do Festival Poesia na Calçada, de 19 a 23 de novembro, em Vitória, com uma série de atividades gratuitas na programação. Durante os quatro dias de evento, haverá lançamento de livros, sarau poético, apresentações musicais e de dança, entre outras ações.

“Esperamos incentivar e valorizar a cultura local. Com cultura local não me refiro os artistas que falam sobre o ES, mas aqueles que ultrapassam esses limites regionais, mostram que sua arte está em pé de qualidade com qualquer outra região”, conta Yan Siqueira, integrante da Confraria dos Bardos e um dos organizadores do festival. Na quarta-feira (19), a partir das 18h, o Centro de Referência da Juventude receberá uma noite dedicada à literatura, com sarau e lançamentos de livros. No local, haverá, também, exposições artísticas de fotografia, pintura, escultura e outras.

No segundo dia de evento, dia 20, será realizada uma mostra de curtas-metragens no Ponto de Cultura Mirante, que exibirá sete filmes, entre eles “Ar Oprimido” de Rodolfo Birchler e “O Espelho” de Juane Vaillant. Na sexta-feira (21), mais de dez músicos capixabas irão se apresentar no Groove Bar, em Jardim da Penha, a partir das 20h, com entrada franca. E, encerrando a programação do festival, a partir das 14h, o auditório do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em Vitória, receberá diversas apresentações de dança e de teatro, incluindo o Sarau dos Bardos, organizado pela Confraria.

O Festival
A primeira edição do Festival Poesia na Calçada aconteceu ainda neste ano, em fevereiro, e contou com exposições de arte, dança, música, cinema e performances, tudo em apenas um dia. Dessa vez, a programação aumentou e o festival acontecerá ao longo de quatro dias.  “Se mantivéssemos um dia apenas, a programação seria reduzida, no mínimo, pela metade do que temos agora. O bacana é que criamos parcerias (CRJ, Ponte de Cultura Mirante, O Groove Bar e o Ifes), assim, acreditamos que conseguiremos realizar novos eventos e dinamizar o público”, conta Yan.

Para participar da 2ª edição, bastava preencher o formulário de inscrição disponibilizado online, durante o mês de outubro, pela Confraria dos Bardos. “Não queremos uma programação fechada, sempre repetindo o mesmo. Dessa forma, abrir chamadas é uma forma de democratizar o festival: todos podem participar, desde que mandem informações e se mostrem dispostos a vestir a camisa do evento”, explica Yan. Com essa metodologia e unindo uma variedade de manifestações artísticas em um só local, o evento acaba por possibilitar importantes encontros entre artistas de diferentes áreas e de diferentes gerações.

“Queremos democratizar a arte”
A Confraria dos Bardos nasceu em 2012, como iniciativa de Yan Siqueira que, além de escritor, é apaixonado por literatura. André Serrano e Andressa Takao, outros apaixonados pela poesia, logo passaram a integrar o grupo. Com o tempo, a declamação se tornou o centro das atividades da Confraria, ainda que esse não fosse o objetivo inicial.

Atualmente, também fazem parte do grupo: Gabriel Vieira, Vinicius Gonçalves (guitarra), Daniel Romanelli (violoncelo), Isabella Rodrigues (cantora) e Kelly Cristina (dança). Além deles, a Confraria conta com o trabalho de Nívea Sophia, responsável pela maquiagem característica do grupo, e de Lorraine Paixão Lopes, que é quem cria as artes gráficas para as redes sociais.

“Estamos cada vez mais críticos em nosso trabalho, o que é bom. Nem parece, mas inserimos músicas, criando melodias próprias combinando guitarra e violoncelo, ainda este ano. Nossa apresentação ganhou um formato, mas ainda não atingimos tudo o que queríamos. Estamos com várias ideias, mas, por conta da organização do festival, deixamos para o ano que vem incrementar novos elementos cênicos”, conta Yan. O Sarau dos Bardos, que será apresentado no encerramento do 2º Festival Poesia na Calçada, conta com oito poemas, incluindo textos de Sérgio Vaz, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade.

Além dos saraus, o grupo realiza diversas ações de incentivo à leitura, como o Festival Poesia na Calçada. O evento, porém, abrange não só a literatura, como também outras artes. “Conseguimos criar um novo espaço – que não é o único, nem o primeiro, muito menos o último – de diálogo desses artistas. Ampliamos o público. Temos um pouco de tudo e um grupo de artistas que contabilizam mais de cinquenta. [...] A importância é tornar visível – ao menos um pouco menos invisível – um novo grupo de artistas que tem qualidade, mas, por inúmeros motivos, não conseguem botar sua arte na rua. Queremos democratizar a arte, qualquer pessoa pode ir ao evento, de qualquer idade”, afirma Yan.

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