Documentário propõe reflexão sobre o Candomblé

Por 14:05

“Asé” será lançado nesta sexta-feira (12), a partir das 8h, no Centro Estadual de Ensino Técnico Vasco Coutinho, em Vila Velha

“Tudo tem um motivo, nada é em vão no Candomblé”, afirma Vinicius Vasconcelos Ribeiro, diretor do documentário “Asé”, que será lançado nesta sexta-feira (12), a partir das 8h, no Centro Estadual de Ensino Técnico Vasco Coutinho, em Vila Velha. O trabalho conta com uma equipe de nove pessoas e tem como um de seus principais objetivos desmistificar o Candomblé – uma religião de matriz africana.

“O Candomblé não tem nada a ver com diabo, com feitiçaria. Candomblé é o positivo e o negativo. Não existe isso de que o “diabo faz isso”. Tem muita gente que pensa assim, infelizmente. [...] O que a gente ouve por aí do candomblé é muita coisa que não é verdade de gente que não tem propriedade pra afirmar o que está falando”, afirma Vinicius.

O filme foi produzido como trabalho final do curso de Rádio e TV da CEET Vasco Coutinho e apresenta, em 25 minutos, as percepções e as vivências de quatro iniciados na religião. “Asé” contém cenas gravadas na casa de santo Ile Asé Odé Nilá, em Vila Velha, e também no Rio de Janeiro.

“Acho que foi muito boa a experiência. Muita gente [da equipe] não conhecia, só eu e o Vinicius que conhecíamos mais um pouco da religião. E acabou que o pessoal conheceu mais e acho que a gente vai conseguir passar isso muito bem pelo documentário, como é a religião de verdade”, conta Lucas Araujo, diretor de fotografia do filme.

Vinicius diz que não teve dificuldades na direção do documentário, já que a equipe trabalha junta há cerca de um ano e meio, mas conta que os problemas eram relacionados aos equipamentos técnicos.  “Aqui no Vasco Coutinho, os equipamentos são bem escassos. Então, por exemplo, teve gravação externa que a gente dependia muito do áudio e, se a gente tivesse o equipamento necessário, não teria que ficar parando toda hora”.

No Brasil, ainda que a Constituição Federal garanta ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, o Candomblé ainda sofre preconceito e discriminação. Para Vinicius, a ideia é que o documentário permita que as pessoas reflitam acerca de suas próprias opiniões sobre a religião.

“Seria um pouco de ousadia a gente querer mudar a opinião de quem já tem opinião formada há muito tempo. Mas desde que a gente consiga passar a mensagem do que é o Candomblé e as pessoas que tão assistindo reflitam já é uma vitória pra gente. [...] Acho que essa é nossa vitória já. Independente da nota, porque a gente não fez trabalho por nota, a gente fez muito por querer realmente passar essa mensagem do que é o Candomblé, do que significa para as pessoas que foram entrevistadas”, conta Vinicius.

E o nome escolhido para o documentário também não é à toa. A palavra Asé (lê-se axé) significa “poder, energia ou força presente em cada ser ou em cada coisa”. Nas religiões afro-brasileiras, o termo representa a energia sagrada dos orixás. O axé pode ser representado por um objeto ou um ser que será carregado com a energia dos espíritos homenageados em um ritual religioso.

Lançamento
Para quem quiser conferir o trabalho, “Asé” será lançado nesta sexta-feira (12), a partir das 8h, no Centro Estadual de Ensino Técnico Vasco Coutinho, em Vila Velha. A entrada é franca.

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