Professor capixaba está entre os dez melhores do mundo

Por 14:39

Wemerson da Silva Nogueira, de 26 anos, está entre os finalistas do Global Teacher Prize, premiação que elege o melhor professor do mundo!

“Educar é ser um transformador de vidas”. É assim, com palavras carregadas de afeto, que Wemerson da Silva Nogueira, de 26 anos, um professor de ciências de uma escola pública do interior do Espírito Santo, define sua profissão. E ele vai além: toda essa paixão pelo trabalho não está só nas palavras, mas também e principalmente em suas ações. Com uma didática lúdica e divertida, que enxerga as múltiplas possibilidades da educação formal, Wemerson alcançou um lugar de destaque em sua carreira: ele está entre os dez finalistas do Global Teacher Prize, uma premiação internacional que tem o objetivo de escolher o melhor educador do mundo.

“Meu trabalho é minha paixão. Ver os resultados que eu consigo e posso promover na vida dos meus alunos e ser capaz de fazer com que eles se tornem cidadãos que vão contribuir com a sociedade, não tem preço”, pontua o professor. Toda essa história começou quando ainda estava na escola. Por ser uma criança muito hiperativa, Wemerson foi convidado por suas professoras a se tornar um aluno monitor. Na época, ele enxergou o convite como uma oportunidade de melhorar sua notas. E foi aí que ele conheceu o Thiago.

“Um dia, durante o intervalo, Thiago me revelou que seus pais estavam envolvidos com drogas e que não via expectativas na escola. Ouvir aquelas palavras me comoveu muito. Depois daquele dia, passei a me dedicar cada vez mais em ajudá-lo, tentava mostrar uma nova visão da escola. Quando me formei, em 2007, decidi que queria ser professor. Estudei à distância e me formei em ciências. Hoje, o Thiago também é professor. Ele se formou em educação física e chegamos a trabalhar juntos”, conta.

Atualmente, Wemerson leciona na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio dos Santos Neves, em Boa Esperança, no município de Nova Venécia. Ele se formou em Química pela Universidade Metropolitana de Santos e se especializou na mesma área pela Faculdade de Nanuque (FANAN), em 2015. É reconhecido por desenvolver projetos pedagógicos multidisciplinares na rede estadual capixaba que o levaram a conquistar, em 2014, o Prêmio Estadual Sedu: Boas Praticas na Educação, com o projeto “Karaoquímica: Aprendendo Química com a Arte de Cantar”.

A partir daí, Wemerson foi contemplado por diversas outras menções e premiações, como a Medalha de Honra Paulo Freire, em 2016, por representar a educação capixaba com mérito de reconhecimento em todo o país. No mesmo ano, conquistou o Prêmio Nacional Educador Nota 10 e Educador do Ano pela Fundação Victor Civita em parceria com a Rede Globo, Nova Escola e Revista Abril pelo projeto “Filtrando as Lágrimas do Rio Doce!”.

Caso vença o Global Teacher Prize 2017, Wemerson já planejou o que deseja fazer com o dinheiro. O vencedor da premiação será anunciado no dia 19 de março, em Dubai, e receberá US$1 milhão, que será pago ao longo de 10 anos. Em sua terceira edição, o prêmio contou com 20.000 inscritos de 179 países e é idealizado pela Fundação Varkey, uma organização filantrópica sem fins lucrativos criada por Sunny Varkey.

A primeira coisa, segundo ele, que fará com o valor da premiação será investir em sua própria formação. “Acredito que o professor precisa constantemente buscar pela sua formação. […] Além disso, quero construir um laboratório de ciências e tecnologia na minha cidade de origem, Nova Venécia, para atender as escolas que não têm um laboratório desse tipo. Assim, iremos promover em toda a cidade uma metodologia cada vez mais lúdica e divertida para os nossos alunos aprenderem ciências. Por fim, em parceria com os governos federal, estadual e municipal, pretendo abrir uma fundação para promover a formação de professores de todo o Brasil”, revela Wemerson.

Por fim, ele conta que para ser um bom professor é preciso não apenas pensar os conteúdos além da teoria, mas também acreditar, independente das dificuldades encontradas. “Ter esperança de mudarmos a nossa educação. Ser aprendiz se necessário, pois muito temos a ensinar aos nossos alunos, da mesma forma que muitos deles têm a compartilhar conosco professores. […] O professor que não reconhece ser um mero aprendiz não consegue transformar seu método de ensino. Sem eles, eu não teria chegado até aqui.”, diz.


Saiba mais sobre a premiação acessando www.globalteacherprize.org.

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